Começar bem a faturação é um dos passos mais importantes para qualquer empreendedor em Portugal. Em vez de documentos soltos em papel ou PDFs informais, a emissão de faturas em Portugal exige
software certificado pela Autoridade Tributária (AT), que atribui automaticamente o
ATCUD (código único de documento) e um
código QR a cada fatura, e gera o ficheiro
SAF-T (PT) que comunica os documentos à AT (mensalmente). Para os empreendedores — incluindo jovens empresas e startups — isto significa uma forma estruturada de documentar vendas e uma
obrigação clara de cumprir as regras de faturação certificada desde o início da atividade.
O que é preciso para faturar em Portugal?
Em Portugal, quem exerce uma atividade económica tem de emitir faturas através de
programas certificados pela AT. Na prática, isto significa abandonar a fatura «manual» e passar para um sistema que cumpre as regras: numeração sequencial, ATCUD, código QR, comunicação à AT e geração do SAF-T (PT).
Qualquer empreendedor, independentemente da dimensão da empresa, deve assegurar que cada venda dá origem a uma fatura válida emitida por software certificado.
E as novidades para 2026?
A faturação eletrónica B2B
não é obrigatória em Portugal — é voluntária e depende do acordo do destinatário. Há, no entanto, novidades relevantes: a partir de
1 de janeiro de 2026, a
fatura eletrónica no B2G torna-se obrigatória também para micro, pequenas e médias empresas, e a partir de
1 de janeiro de 2027 as faturas eletrónicas passam a exigir
assinatura eletrónica qualificada (QES) (adiada pelo Orçamento do Estado para 2026). O essencial mantém-se:
software certificado, ATCUD, código QR e SAF-T (PT). Vale a pena confirmar prazos e detalhes junto da AT ou do seu contabilista, porque as regras vão sendo atualizadas.
Vendas via Stripe e emissão de faturas em Portugal
Muitas jovens empresas digitais monetizam os seus produtos através de plataformas globais. O
Stripe — uma plataforma de pagamentos internacional — é enormemente popular entre startups SaaS, criadores de cursos online e fornecedores de ferramentas digitais. Em Portugal, o Stripe suporta métodos locais como
MB WAY e
Multibanco, além de cartões, SEPA, Apple Pay, Google Pay, PayPal, Klarna e Link.
Importa, porém, lembrar que
o Stripe apenas processa o pagamento — não emite faturas conformes com as regras portuguesas. Se a sua startup vende produtos ou serviços e aceita pagamentos via Stripe,
tem de garantir que é emitida uma fatura com IVA válida para cada transação.
Automatizar a faturação numa startup — como avançar rapidamente?
Como a faturação certificada é incontornável, a melhor abordagem para uma startup é
automatizar todo o processo de emissão e entrega de faturas. Eis como
arrancar rapidamente passo a passo:
1.
Faça o início de atividade nas Finanças (AT) e garanta o NIF. Defina o seu código de atividade (CAE-Rev.4, do INE) e regularize a situação fiscal antes de começar a faturar.
2.
Escolha um software de faturação certificado pela AT. Ferramentas portuguesas como
InvoiceXpress, Moloni ou Vendus (Cegid) asseguram ATCUD, código QR e SAF-T (PT).
3.
Ligue o seu canal de vendas (ex.: Stripe) ao software de faturação. Existem soluções especializadas que
ligam o Stripe ao seu sistema de faturação — para que cada pagamento gere automaticamente uma fatura com IVA. O
striptu liga o Stripe ao seu sistema de faturação (por exemplo, InvoiceXpress).
4.
Teste e monitorize o processo. Após a configuração, faça algumas transações de teste e verifique se as faturas são geradas corretamente, com ATCUD e código QR.
5.
Mantenha-se atualizado. Acompanhe as comunicações do seu fornecedor de software e as orientações da AT.
Resumo
Implementar a faturação numa startup não tem de ser difícil nem demorado se abordar o tema metodicamente e usar as ferramentas disponíveis. O modelo português assenta num padrão claro — software certificado, ATCUD, código QR e SAF-T (PT) — que, à primeira vista, parece mais um requisito burocrático, mas que na prática
pode simplificar as finanças da empresa e poupar imenso tempo através da automação. Para as jovens empresas, a chave é
organizar a faturação desde o início da atividade e automatizar o que for possível. Em caso de dúvida,
consulte o seu contabilista ou as fontes oficiais (AT) — é a forma mais segura de cumprir tudo desde o primeiro dia.